tenho um segredo para contar

August 3, 2009

(em algum lugar do ano passado…)

Tenho um segredo para contar. Talvez o contasse antes de começar estas linhas, se ao menos você pudesse encarar meus olhos: mas tudo bem. Um segredo não se conta e não será aqui que o revelarei. O ponto não é este: o segredo em si. O fato de haver algo em minha própria solidão, inalando compulsões solitárias. Não é o meu silêncio, nem a minha voz. O porquê está erroneamente no fato de algo ser segredo, hoje, para mim. Uma palavra forte que não se discute em uma mesa de bar, mas revela-se em uma. Não se guarda debaixo de um banco da praça, mas encontra-o lá. Não se brinca num parque de diversões, mas pode morrer atrás de uma roda-gigante. Não se escuta jazz com um segredo, mas fabrica-se um enquanto o saxofone estoura. Uma coleção de negações que, incrivelmente, não nos levará a nada: e está ali. Na nossa frente, sorrindo por nos colocar diante de um muro; o nosso segredo.

Depois de uma, duas, ou três doses de martini, não me lembro, não faço questão – é sério! –, o que quero, mesmo, é entender. A revelação de um segredo. De uma chave própria, solitária e evasiva. Escapa-se dos dedos quanto mais apertamos; no ato de glória, de revelação, para um querido, para um inimigo, não importa. O segredo não é mais seu, não é mais… segredo.

Tenho amigos. Tenho discussões e vontades. Tenho noites mal dormidas e sexos casuais – e se não o tivesse também, seria o mesmo: conheço-me. Se não soubesse contar até dez, talvez não me preocupasse em conseguir fazer contas com vírgulas. Se não soubesse conjugar um verbo, talvez não escrevesse sobre eles. Se não tivesse o fácil, obviamente, não procuraria o difícil. Minha dificuldade é fuga da minha própria existência: sofro destemidas vontades de sobreviver no meio desse tumulto de gente, de vidas e carências. Mas sou único: e tenho um segredo. Eles sabem que não estou bem, mas quem está? Eles sabem que corro atrás da minha própria solidão, e que sorrio quando me divulgo num outdoor. Conhecem meus fracassos, compreendem meus erros e exploram minhas felicidades. Entendem por que eu não fumo e por que eu bebo. Mostram-me motivos para rir. Motivos para chorar e andar. Ouvir músicas – eles que apresentaram. Deram-me papel, caneta e falaram: escreva. Consegui respirar ali, depois do ponto final, perto de um verbo. Apalpei-me diante de um espelho e escrevi de forma bêbada um: não estou bem. Depois, bem depois, risquei o não. Mas ele continua ali, agora com um borrão.

E o segredo é este: viver. Mas o segredo em si, ah, este eu não conto. Não conto mesmo, se contasse, o que seria dele? Um segredo revelado já se torna história. E história, fato ou não, deixa de ser segredo. E o meu sucesso está dentro dele: do segredo. Serei bem sucedido se mantê-lo comigo: óbvio.

Uma mesa de bar, com mentiras, verdades, martinis, absintos e um pouco de vinho, seria o meu segredo. E todos têm acesso a ele. Meus fracassos sentados à mesa, minhas vitórias indo ao banheiro e eu ali: assistindo. Quantos segredos existem em nossa vida? Quantos acessos a eles temos? Depois de um jogo de sinuca e duas bolas devidamente postas no buraco, um segredo vem à tona: e, maravilhosamente, continuamos ali, vivos. E quanto amores em segredo temos? E amores que não são segredos? E segredos que são amores?

O amor é um segredo. E segredo maior é sustentar um. Paixão é segredo inútil. Desejo é anti-segredo. É simplesmente. Na verdade, é o não ser. Não é. Segredo é mais: é sofrer por querer mais. É silenciar-se. É amor. Amar que dói. E amor, que é amor, é segredo. Amor, se não dá, deu. E passado de amor é dor. Um segredo.

Ontem, bebi com uns amigos numa mesa de bar. O bar era conhecido: nenhum segredo. A mesa, um pequeno detalhe estúpido, era normal: nenhum segredo a acrescentar. Mas nós, os amigos, éramos todos segredos. Amigos que não se conheciam. Quem mais convive conosco – não conhecemos. Até que ponto eles vão? Até que ponto eu vou? Até que ponto eles acham que eu vou? Segredo, segredo e mais um segredo. Segredos no meio de nós – se não atrapalhassem a boa convivência, com certeza, brotariam cerejas em nossos pés.

Mas a convivência é um segredo. E o segredo da boa convivência é outro. Não é assim que funciona o sistema social, e nem assim será. Nunca. Algumas coisas contamos para determinada pessoa, outras coisas para outra determinada pessoa. Mas nunca para todos: infelizmente não somos vitrines. Infelizmente? Não, felizmente. Ou não também, é tudo uma questão de saber lidar com o segredo.

Nem eu mais entendo quem sabe o quê. Eu mesmo não sei. Não consigo administrar mais as minhas verdades. São tantas e são tantas as pessoas que têm acesso a elas. Na sexta eu era um, minhas conversas eram uma, meus segredos eram um. No sábado eu era outro. Quem me acompanhou – acompanhou meu progresso; quem não o fez, perdeu-se no meu passado. Parou nas horas que não vou reviver. Daqueles meus segredos e desses, quais são os meus amigos, meus reais queridos, que compreenderão minhas escadas, meus degraus e meus buracos?

O segredo é ser. E ser é um segredo. Querer é outro, mas ter; ter não é. Uma confusão de intenções, uma confusão de tudo que é mais confuso no seu próprio silêncio!

Ontem, meu segredo era um só: esconder-me. Esconder meu segredo da mesa. Encontrei-me com o passado, o presente e o futuro; acabei encostando-me num telefone sem fio com o meu próprio desejo – em segredo.

E nas minhas próprias divagações terminei a noite com dúvidas secretas, coisas roubadas e amigos perdidos. E no próprio segredo: o que era, hoje não é mais. O que amanhã será, hoje – por favor, seja.

Não quero mais oscilar em segredo, sou humano. Também amo e também odeio. Também me apaixono e também invento. Também – você também. Não espero mais e-mails, nem telefonemas. Espero só olhares. Se ainda quiser me encontrar, marque um café; comemos um brownie, ou vamos passear pela praça. Mas me veja, seja por dois minutos, ou a tarde inteira.

É esse o segredo: tocar o próprio segredo e torná-lo, por dois minutos, a sua realidade. 

pro-je-tos

July 27, 2009

e os projetos são tantos. outros tantos são os engavetados e mais tantos estão aqui ao meu lado.

a caminhar somente um: o bonitinho e adormecido há tempos.

 

(ter disciplina na escrita deveria vir com bula)

e o cérebro esfria...

July 24, 2009

E o tempo passa tão depressa, e o café esfria rápido demais, os pés congelam debaixo da mesa, e não vence dormir, acordar, arrumar a cama, enfiar goela baixo uma xícara de café preto e dormir novamente, o relógio me ameaça com o ponteiro dos segundos, as fotos denunciam meu mal aproveitamento das horas, o computador pifa, na praça chove, na rua os carros buzinam, os sinais de trânsito me deixam zonzo, a programação me irrita… e o tempo está, freneticamente, passando.

Dez horas da manhã e eu já me perdi na ânsia de tentar fazer mais do que consigo, às dez e meia já me esqueci de aguar a samambaia, e começo a planejar o almoço. Desisto de cozinhar dois minutos depois e arrasto todo o corpo para a casa da avó e contemplar-me com o almoço mais fácil, delicioso, exuberante e cheiroso que existe.

Meio dia e não sou mais o menos das nove da manhã, até porque às nove, eu me agarro ao travesseiro, puxo o cobertor e durmo mais uma hora. Meio dia eu já não faço mais juras de amor, eu já não sonho mais com os dias melhores, nem penso nos piores. Olho para minha irmã, no quintal, andando de um lado para o outro, puxando os cabelos da boneca e pondo a Cinderela para vomitar do jeito mais frágil e inútil Amélia de ser. Criança se perde fácil pelos horários vagos do dia e se encanta demais com a rotina já planejada. Eu não. Eu não me canso de abrir a geladeira e procurar alguma coisa para fazer, não me canso de trocar dez vezes de canal e voltar para o mesmo. Não me canso de olhar pela janela, procurando uma novidade, um grão de areia em cima do tapete já pode se tornar um enorme acontecimento para mim, nos dias de frio.

O frio exterior, de tão belo que é, congela meu cérebro do jeito mais rude que tem; e fico a calhar no meio da sala, cantarolando músicas inúteis, olhando para o borra do café. Rôo unhas, faço planos que não concluirei e sento à mesa, olhando meu reflexo no espelho da parede.

Tenho tempo demais para a saudade e de menos para a novidade. E o tempo passa… passa rápido demais. Às três da tarde, já me encontro ludibriado pelas nuvens e cansado pela pressa. Vadio, o banho não é o mesmo. Colocar roupa na máquina não é a mesma coisa e abrir uma garrafa de vinho é o ato mais justo e feliz que se pode realizar.

A noite chega como um tapa da cara, o céu se fecha e a chuva desaba como um choro do céu. É cruel deitar-se na cama e pensar no dia de amanhã com os olhos mais infantis e o rancor de quem já cansou um bocado de arrumar a cama, logo tão cedo.

marianna

July 21, 2009

Quando conheci Marianna, ela tinha os olhos amedrontados, guiados para seus próprios pés, tímidos, misteriosos, avulsos e criteriosos.
Sua tez, um pouco encardida de sol, revelava uma menina bonita, madura e com muita vontade de viver.
Suas mãos guardavam segredos e sua boca suspirava verdades. Sua casa era de todos, sua química era perfeita, sua matemática irreconhecível e seu português merecia reparos.
Seus cabelos negros alimentavam esperanças de um dia melhor, seu olhar acima dos óculos denunciava sua superação.
As mãos frias encostaram-se nas minhas ainda cedo e se firmou a amizade que por si só, distante e irreconhecível, cisma em aparecer cá logo de madrugada na memória.

Pouco chão tão logo iremos percorrer, mas por muito céu sonhamos em voar.

e a felicidade?

July 17, 2009

E a felicidade é mesmo um bichinho muito estranho e difícil de ser administrado, mas que é bom, e que faz um bem, ô se é.

minhas mentiras

July 10, 2009

O céu, hoje, está tentando se comunicar de algum jeito comigo. E ainda não consegui estabeler esse contato por ser uma pessoa sem embasamento para encarar diálogos com nuvens desajeitadas que nem formam um grande cenário no céu. E tenho dito que dependendo do tempo que fizer até o final das quatro horas da tarde, colocar-me-ei debaixo de um belo cobertor e me desligarei do mundo. Hoje está um dia nem pro sim, nem pro não. Um dia em que me vejo dentro de casa, olhando por cima do óculos aquela pilha de caixas que jurei ter jogado fora. E elas riem de mim. Riem muito.

Na quarta-feira, depois de desligar o telefone, abri o guarda-roupa e resolvi tirar todo o meu passado estocado em caixas, envelopes e roupas que estava mofando com o tempo dentro das gavetas, perto das camisetas, dialogando com as folhas de jornais interessantes e histórias que guardo. Foi como se tivesse jogando fora um pedaço do meu coração, mas rasgava todas as velharias como quem se liberta de uma prisão: era uma mistura de alívio e medo. A que eu me apegaria para viver?

Apegar-se ao passado é um estímulo a mais para modificar o presente e brilhar no futuro! Mentira. Apegar-se ao passado é covardia. Brilhar no futuro é burrice. O presente é um mérito e uma certeza por tantas vezes esquecido, e eu estava o esquecendo dentro do guarda-roupa, por motivos saudosistas, por covardia, por amar demais, por ter medo demais. Por ser um exagero inútil. Quando coloquei as mãos em uma caixa de All Star e tentei trazê-la para mim, várias fitinhas do Bonfim cairam sobre mim: lembrei-me de mim em Porto Seguro, ainda saindo de uma ingenuidade e iniciando uma vulgaridade, ainda crente nas águas sagradas do nordeste e na boa verdade da vida; por medo, apego, ou crença ridícula, enfiei no bolso, antes de entrar no aeroporto, várias (várias mesmo!) fitas do santo para amarrar em todos os lugares que julgasse necessário. Amarrei uma no tornozelo que durou mais tempo que imaginei e me enjoou a estética. As outras enfiei na caixa e lá ficaram. Tive medo, mas foram para o lixo.

Foram para o lixo junto com os amores que se esconderam por tanto tempo em cartas. Não consegui reler algumas, outras li com um sorriso no rosto. Mas agora se encontram em algum canto do saco preto junto com as revistas velhas e fotos ridículas. E mesmo pensando em tacar fogo, ou apenas depositar na lixeira do prédio, o passado vai mesmo embora com toda a velharia ou fica em algum lugar, abafado em nosso pensamento? O guarda-roupa, claro, é uma metáfora para minha consciência ou não-consciência, mas em algum lugar se encontra amarrotado todo o meu passado, querendo expelir a qualquer momento, inclusive os mal resolvidos. Casos jogados fora, amores bem vividos, outros nem tanto, coisas que nos pertenceram em algum momento, minuto e lugar. Pertenceram não. Não estou no melhor momento para julgá-los como posse. Talvez fizeram parte, destacaram-se… 

Ainda me pego pensando em qual a melhor hora para mudarmos, para esquecermos tudo ou para voltarmos atrás e pedirmos desculpas, abraçarmos, beijarmos. Qual o melhor momento para nos jogarmos na rua e fazer a melhor declaração, ou então atirarmos na frente de alguém, dar meia dúzia de bolachas na cara e abandonar a cena. Se tudo viesse em forma de roteiro, prontinho, para apenas ser encenado, seria tão mais fácil.

Até mais fácil por não precisarmos jogar fora. Se fosse desagradável, a direção tomaria conta do erro do dramaturgo e arrumaria a cena durante o ensaio. Mas com esse tempo não se brinca, nem com o passado. Ele está feito e é a única coisa de que temos certeza. Quantos erros. Quantas coisas ainda por resolver e que não valem a pena voltar atrás, nem insistir no acerto. Às vezes a covardia fala mais alto, ou então a mentira que criamos para nós mesmos e chamamos de vaidade: pra quê voltar com os nossos pés e corrermos o risco da humilhação, se o mundo gira tanto e pode nos colocar na mesma situação várias vezes?

A gente aprende. A Terra não.

a falta do anel

July 6, 2009

Quantas e quantas vezes pus-me a sentar em uma cadeira, longe da mesa que abriga a todos e, logo ali no canto do cômodo, quieto, pensava nos códigos que formavam nossas ações, reações, conversas, situações… praticamente um equívoco dizer que podemos, sim, abandonar todos os códigos em um saco de lixo preto gigantesco e deixá-lo jogado no Tietê. Essa sociedade incrivelmente ardente depende desses códigos para que a sobrevivência seja mais palpável, para que as relações comecem de um jeito mais firme e que as situações não sejam extremamente constrangedoras.

A aliança de comprometimento é uma coisa importantíssima no dedo de um que assume um namoro e se diz exclusivo de um relacionamento. Não me coloquem como careta, nem ao menos como um descrente dessa modernidade de coisa aberta, liberal, linda e perfeita! Sou aquele que vive noturnamente e procura nas pessoas a fé de um romance, a aliança só me ajudará na hora de ter que colocar alguns para escanteio. Sábado à noite, contrariando todas as expectativas que tinha dentro de mim, tomei um banho rápido, enfiei-me na roupa menos preparada possível, chamei um táxi e parti para uma boate. Em minha cabeça só existia um comprometimento: aquele que tenho comigo mesmo. Coloquei-me a minha disposição, dancei conforme meus pés suportaram e bebi até a hora em que julguei necessário. A noite estava ali, bonita, fazendo-se divertidade para mim e para muitos que demonstravam na cara o gosto daquela dança. Tirando o beijo que me foi roubado por quem firmava compromisso com outro alguém.

A culpa não foi minha! Vim rezando esse mantra durante toda a viagem de volta para o meu apartamento, dentro do táxi silencioso. Saí pela porta perdendo toda a calma que existia em mim; cheguei até mesmo a ser ameaçado dentro da boate. Coisa estranha, era apenas o que eu conseguia pensar. Coisa estúpida, depois me veio à cabeça. Coisa boçal, ridícula, besta! Extremamente desnecessária! E eu tentava de mim tirar a culpa, mas me tornava meio atado diante da situação que se formou naquele lugar. Assustei-me com um beijo que poderia ser o melhor beijo da minha vida, e foi o mais desnecessário.

Enquanto tomava um banho e tentava entender a atitude que se fez em minha boca, ficava pensando naquele que se viu traído no meio de uma boate e, também, na aliança de comprometimento que não existia em mão alguma. Se ela se fizesse presente no dedo talvez não evitaria nada. O que um objeto pode com a força e a vontade de um ser humano que o controla? Ainda me pego pensando e fico cada vez mais descrente. Ainda que romântico, louco e apaixonado, a vida esforça-se para, a cada dia que passa e a cada tentativa de felicidade, dar-me um banho de água fria quando o assunto é relacionamento. Dessa vez nem considerei o beijo um relacionamento, nem nada. Apenas um desentendimento com terceiros que não consegui nem ao menos gravar o rosto. Se encontrar na rua, não reconhecerei, mas talvez me reconheçam: não queria ser, por descuido, o motivo de uma separação sem eira nem beira. É tudo questão de sobrevivência nessa sociedade movida por códigos, não é? Não.

Estava totalmente sem códigos: não olhava ninguém, não dava sinais, nem ao menos havia anel! E se, por algum momento, fez-se em mim a sensação de desejo e felicidade por ter sido escolhido no meio de tantos, a vaidade também é desculpa dos códigos. Não a tenho na medida certa, sempre extrapola ou falta!

E a culpa é de quem?

fera ferida

July 5, 2009

Acabei com tudo, escapei com vida, tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída.
Mas saí ferido,sufocando o meu gemido, fui o alvo perfeito, muitas vezes no peito atingido.
Animal arisco, domesticado esquece o risco, me deixei enganar e até me levar por você.
Eu sei quanta tristeza eu tive, mas mesmo assim se vive, morrendo aos poucos por amor.
Eu sei, o coração perdoa, mas não esquece à toa, o que eu não me esqueci.
Eu andei demais, não olhei pra trás, era solta em meus passos, bicho livre sem rumo sem laços.
Me senti sozinha, tropeçando em meu caminho, à procura de abrigo,uma ajuda um lugar um amigo.
Animal ferido, por instinto decidido, os meus passos desfiz, tentativa infeliz de esquecer.
Eu sei que flores existiram, mas que não resistiram à vendavais constantes.
Eu sei, as cicatrizes falam, mas as palavras calam, o que eu não me esqueci.
Não vou mudar, esse caso não tem solução, sou fera ferida, no corpo na alma e no coração.
Eu sei que flores existiram, mas que não resistiram à vendavais constantes.
Eu sei, as cicatrizes falam, mas as palavras calam, o que eu não me esqueci.

(Fera Ferida – Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

 

Eu volto a qualquer hora para anunciar alguma coisa por aqui, para continuar a escrever alguma coisa sem sentido e dizer o quão importante é a presença de uma aliança no dedo de um indivíduo comprometido. 

hello stranger

June 30, 2009

mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma

até quando o corpo pede um pouco mais de alma, 

eu sei, a vida não pára.

(lenine)

 

ontem foi o dia de grandes oportunidades e poucos negócios. há algum tempo, resolvi que era hora de fazer uma tatuagem. muito tempo depois da decisão, tomei coragem e fui, na raça, tatuar "hello stranger" em alguma parte do meu corpo, a princípio nem um pouco visível aos olhos dos outros e que, segundo o tatuador, dói menos. (local escolhido? abaixo da nuca, no meio dos ombros, naquele lugarzinho das costas chato para alcançar na hora do curativo).

uma constatação: quer tatuar? tatue. mas avise o maior número possível de pessoas próximas! elas o ajudarão na hora de passar aquela pomada tosca e colocar aquele papelzinho merda. ah, sim! essas pessoas também controlarão a dieta medíocre quando você está prestes a arrancar a tatuagem com os dentes e devorar aquela barra de chocolate meio amargo que te namora no armário da cozinha. aliás, estabeleci uma tática: durante uma semana, todos os chocolates presentes no apartamento subiram para o armário em cima da geladeira que eu não alcanço sem a banquetinha. resultado? esqueci-me das barras lá quando corri para a casa da minha mãe. elas vão ficar mole, mole…

a tatuagem coça e irrita. se eu pudesse voltar atrás… ok, eu não voltaria. faria novamente, mas com a certeza de que, dessa vez, teria alguém para me auxiliar na hora da pomadinha melequenta. e uma pessoa totalmente neurótica como eu, que a cada dia inventa um TOC novo, não pode ter regrinhas na rotina… só fode com tudo! nesse caso, foi o sol. vê se agora, passado o tempo de chatice, eu consigo deixar a tatuagem exposta ao sol? não. não. pode fazer 30 graus lá fora, eu tou com cachecol.

eu quero sair desse lugar (o blogsome). ele tem tirado um bocado com a minha cara e nem tenho gostado muito não. vou providenciar uma conta em algum outro lugar enquanto dou oi pros estranhos pelas costas… (piadinha merda que fizeram numa mesa de bar).

...

June 29, 2009

chega um momento em que você se encontra no meio de uma rua incrivelmente movimentada, carregando nas costas uma mochila lotada de incertezas, com a chave das duas casas (não tendo nenhuma) e muitos, muitos telefones inúteis gravado no celular, perguntando se vale mesmo alguma coisa recorrer à estética perfeita e se é feio jogar tudo para o alto, enfiar-se debaixo de um cobertor e abrir a garrafa de vinho que está no fundo do armário.

quando a música já enjoou e os acontecimentos midiáticos já deixam de surpreender. qualquer movimento pode ser mais insuportável que o peso de todas as coisas do mundo; quando a sensação de término é mais carismática que a do início. um alívio constrangedor no final de toda a festa, quando não se há mais pessoas dançando.

as páginas de todo o livro continuam apenas sendo folheadas e os planos agendados, sempre, mas cada vez mais adiados. as coisas correm pouco e o tempo corre demais.